Fileira de impressoras 3D imprimindo peças de plástico
Impressoras 3D de filamento imprimindo peças camada por camada. Foto: Minku Kang / Unsplash.

Manufatura aditiva: os 7 processos e a conta do tempo

Manufatura aditiva é o nome técnico da impressão 3D: fabricar uma peça juntando material, em geral camada sobre camada, a partir de um modelo digital. A norma internacional ISO/ASTM 52900 reconhece sete processos diferentes, da extrusão de plástico das impressoras de mesa à fusão de pó metálico por laser que faz peças de motor de avião.

Este artigo explica os sete processos da manufatura aditiva e faz as contas que os catálogos não fazem: quantas camadas tem uma peça, quanto tempo ela leva no mínimo para imprimir, quanto pesa e quanto custa de material. As fontes são a própria norma, as patentes originais e as fichas técnicas dos fabricantes.

O que é manufatura aditiva, pela norma

A ISO/ASTM 52900:2021 define manufatura aditiva como o processo de unir materiais para fazer peças a partir de dados de um modelo 3D, geralmente camada sobre camada, em oposição à manufatura subtrativa e à formativa. Para situar: subtrativa é a que remove material, como a usinagem, e formativa é a que dá forma, como a injeção e a forja.

Três patentes americanas marcam o início comercial da tecnologia: a estereolitografia de Charles Hull, pedida em 1984 e concedida em 1986 (US 4.575.330); a sinterização seletiva de Carl Deckard, concedida em 1989 (US 4.863.538); e a deposição de material fundido de Scott Crump, pedida em 1989 e concedida em 1992 (US 5.121.329). As impressoras de mesa de filamento usam o princípio descrito na terceira.

Os 7 processos de manufatura aditiva

Processo (nome na norma) Como une o material Material típico
Extrusão de material (material extrusion) o material é depositado seletivamente por um bico ou orifício principalmente filamento plástico (PLA, PETG, ABS)
Fotopolimerização em cuba (vat photopolymerization) resina líquida numa cuba é curada seletivamente por luz resina fotossensível
Fusão em leito de pó (powder bed fusion) energia térmica funde regiões de um leito de pó pó de náilon ou de metal
Jato de aglutinante (binder jetting) um agente líquido é depositado para unir o pó pó de metal, areia ou cerâmica
Jato de material (material jetting) gotas do próprio material são depositadas seletivamente resinas e ceras
Deposição com energia direcionada (directed energy deposition) energia térmica concentrada funde o material enquanto ele é depositado pó ou arame metálico
Laminação de chapas (sheet lamination) folhas de material são unidas para formar a peça papel, metal ou compósito em folhas

As descrições da segunda coluna são paráfrases das definições da norma. A coluna de materiais é um resumo nosso do uso mais comum de cada processo. Para quem lê catálogo de impressora, os três primeiros são os que mais aparecem: extrusão (as máquinas de filamento), fotopolimerização (as de resina) e leito de pó (as industriais de náilon e de metal).

Impressora 3D de filamento depositando plástico camada por camada
Extrusão de material: o bico deposita o plástico derretido em camadas. Foto: Jakub Żerdzicki / Unsplash.

Extrusão de filamento: quantas camadas e quanto tempo

Na impressora de filamento, um bico aquecido derrete o plástico e desenha cada camada. Uma máquina de mesa atual, como a Prusa MK4S, usa filamento de 1,75 mm, bico de 0,4 mm e camadas de 0,05 a 0,30 mm. A fabricante recomenda que a camada fique abaixo de 80% do diâmetro do bico, segundo a documentação de camadas e perímetros.

O número de camadas é a altura da peça dividida pela altura da camada. Uma peça de 60 mm com camada de 0,2 mm tem 60 ÷ 0,2 = 300 camadas; com camada de 0,1 mm, 600.

O tempo depende de quanto plástico o bico consegue derreter por segundo. O cordão depositado é aproximadamente um retângulo com a largura da extrusão e a altura da camada, e a vazão é essa seção vezes a velocidade:

vazão (mm³/s) ≈ largura × altura da camada × velocidade

Com largura de 0,45 mm, camada de 0,2 mm e 100 mm/s: 0,45 × 0,2 × 100 = 9 mm³/s. Esse valor cabe no limite do equipamento: a Prusa informa de 12 a 20 mm³/s como vazão máxima típica para PLA, segundo a página de velocidade volumétrica máxima.

Conta do tempo de impressão 3D: seção do cordão de 0,09 mm², vazão de 9 mm³/s e 1 hora e 33 minutos para 50 cm³
A vazão é a seção do cordão vezes a velocidade; o tempo mínimo é o volume da peça dividido pela vazão. Aproximação com cordão retangular, sem contar deslocamentos, aceleração e resfriamento. Conta nossa.

Para uma peça que consome 50 cm³ de plástico (50.000 mm³), o tempo mínimo é 50.000 ÷ 9 ≈ 5.556 s, ou 1 hora e 33 minutos. É um piso para essa velocidade, porque a conta ignora deslocamentos sem extrusão, aceleração, a primeira camada mais lenta e o resfriamento; com esses parâmetros, o tempo que o programa fatiador calcula é maior (conta nossa). Reduzir a camada de 0,2 para 0,1 mm corta a vazão pela metade e dobra esse piso, para cerca de 3 horas e 5 minutos. É o preço do acabamento mais fino.

Quanto pesa e quanto custa de material

O PLA, um dos plásticos mais usados nas impressoras de mesa, tem densidade de 1,24 g/cm³, segundo a ficha técnica do Prusament PLA. A peça de 50 cm³ pesa 50 × 1,24 = 62 g.

O custo de material é massa vezes preço por quilo. Com filamento a R$ 100 por kg (premissa nossa; troque pelo preço que você paga), são 0,062 × 100 = R$ 6,20. O custo real da peça é maior, porque entram energia, desgaste da máquina, peças que falham e o tempo de quem opera.

Peças cinza impressas em resina, ainda com os suportes de impressão
Peças impressas em resina (fotopolimerização em cuba), ainda com os suportes. Foto: EnCata PD / Unsplash.

Resina e pó: mais detalhe, outro custo

As impressoras de resina curam o líquido com luz e trabalham com camadas mais finas. A Formlabs Form 4 imprime camadas de 25 a 200 micrômetros com resolução de 50 micrômetros no plano, segundo as especificações da fabricante. A mesma peça de 60 mm, com camada de 50 micrômetros (0,05 mm), tem 60 ÷ 0,05 = 1.200 camadas.

Na fusão em leito de pó, um laser funde o pó camada por camada, e o pó solto em volta sustenta a peça. Em náilon, a linha Fuse da Formlabs usa camadas de 110 micrômetros. Em metal, a ficha da liga de titânio Ti64ELI para a máquina EOS M 290 indica camada de 30 micrômetros e taxa de construção de 5 mm³/s, ou 18 cm³ por hora, segundo a ficha técnica da EOS.

Com esses números, os mesmos 50 cm³ em titânio levariam 50 ÷ 18 ≈ 2,8 horas só de fusão, sem contar o espalhamento do pó a cada camada e outros fatores que a própria ficha ressalva, e pesariam 50 × 4,41 ≈ 220 g, com a densidade aproximada de 4,41 g/cm³ da mesma ficha (conta nossa). O uso de ligas de titânio em implantes está em ligas metálicas em próteses ortopédicas.

Onde a manufatura aditiva compensa

Ela compensa quando a geometria é complicada demais para os outros métodos ou quando várias peças podem virar uma só. O exemplo mais citado é a ponta do bico injetor de combustível do motor LEAP: a peça antiga era feita de 20 partes soldadas e a impressa é uma só, 25% mais leve, segundo a GE. Em 2021, a fábrica de Auburn, no Alabama, entregou a peça de número 100 mil, segundo a GE Aerospace.

A NASA relatou resultado parecido num injetor de motor de foguete testado em 2014: pelo método convencional seriam 163 peças fabricadas e montadas; com impressão 3D, foram duas, segundo o comunicado da agência. Na construção civil a lógica é outra, de escala e de mão de obra, e está em impressão 3D aplicada à construção civil.

Os limites: resistência entre camadas e precisão

Peça impressa por extrusão é mais fraca na direção em que as camadas se empilham. A ficha do Prusament PLA mostra o tamanho da diferença: a tensão de escoamento à tração do corpo de prova impresso deitado é de 51 MPa (59 MPa no impresso de lado), e a adesão entre camadas, medida por método próprio da fabricante, é de 17 MPa. A união entre camadas aguenta cerca de um terço do que o material aguenta ao longo delas: 17 ÷ 51 ≈ 33% (conta nossa, aproximada, porque os dois ensaios são diferentes). Por isso a orientação da peça na mesa é uma decisão de projeto: a carga principal deve correr ao longo das camadas.

A precisão também tem piso. A Stratasys informa para a linha industrial F123 uma exatidão de ±0,200 mm ou ±0,002 mm por mm, o que for maior, dependendo da geometria, segundo a ficha da linha. Numa peça de 150 mm, isso dá 150 × 0,002 = ±0,3 mm. Encaixes justos pedem folga de projeto ou usinagem depois da impressão. Tudo começa num modelo digital bem feito, assunto de modelagem 3D em engenharia.

Perguntas frequentes

Manufatura aditiva e impressão 3D são a mesma coisa?

Na prática, sim. Manufatura aditiva é o termo da norma ISO/ASTM 52900 e o mais usado na indústria; impressão 3D é o nome popular do mesmo conjunto de processos.

Quais são os 7 tipos de manufatura aditiva?

Extrusão de material, fotopolimerização em cuba, fusão em leito de pó, jato de aglutinante, jato de material, deposição com energia direcionada e laminação de chapas, segundo a ISO/ASTM 52900.

Camada mais fina deixa a peça mais forte?

Camada mais fina melhora o acabamento e o detalhe, e custa tempo: com a mesma velocidade, metade da camada dobra o tempo. A resistência depende mais da orientação da peça e da adesão entre camadas do que da espessura escolhida.

Quanto tempo leva para imprimir uma peça?

Uma primeira estimativa é o volume de material dividido pela vazão do bico. Com vazão de 9 mm³/s, cada 10 cm³ de plástico levam pelo menos 10.000 ÷ 9 ≈ 1.111 s, cerca de 18 minutos e meio. Com esses parâmetros, o tempo real é maior.

Dá para imprimir metal em casa?

A fusão de pó metálico a laser usa laser de centenas de watts (400 W na EOS M 290) e pó fino em atmosfera de argônio, em máquinas industriais. Para quem precisa de uma peça metálica, o caminho usual é encomendá-la a um prestador de serviço.

Entender manufatura aditiva é entender três números: a altura da camada, a vazão de material e a resistência entre camadas. Os dois primeiros decidem o tempo e o acabamento; o terceiro decide como a peça deve ser posicionada para não quebrar. Outras tecnologias que já saíram do laboratório estão em inovações tecnológicas na engenharia.

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