Coliseu de Roma visto de lado, com as arcadas de travertino
Coliseu, em Roma: 189 m por 156 m e mais de 48 m de altura. Foto: Gary Walker-Jones / Unsplash.

A engenharia do Coliseu: materiais, arcos e a conta das saídas

O Coliseu, em Roma, é o maior anfiteatro do mundo romano: uma elipse de 189 m por 156 m, com mais de 48 m de altura e lugar para cerca de 50.000 espectadores. Foi começado pelo imperador Vespasiano por volta do ano 70 e inaugurado por seu filho Tito em 80, com 100 dias de jogos. A engenharia por trás do Coliseu explica por que ele ficou de pé quase dois mil anos e por que suas soluções ainda aparecem nos estádios.

Este artigo mostra os materiais e a estrutura, a conta de quanto tempo 50.000 pessoas levariam para sair pelas 80 arcadas, o que havia embaixo da arena e o que tirou pedaços do monumento.

O Coliseu em números

Item Valor
Planta elipse de 189 m × 156 m
Altura mais de 48 m
Área total 24.000 m²
Arena 76 m × 46 m
Público cerca de 50.000 pessoas
Arcadas 80 em cada um dos três primeiros níveis
Construção início por volta de 70 a 72; inauguração em 80

As medidas são do portal oficial de turismo da prefeitura de Roma, Turismo Roma; datas e materiais, da Britannica. A Britannica registra que o quarto nível foi acrescentado por Domiciano em 82, o que completou a estrutura.

Onde ficava e quem pagou

O anfiteatro foi erguido onde antes ficava o lago artificial do palácio de Nero, a Domus Aurea, segundo a Turismo Roma. A Britannica atribui o financiamento ao saque de Jerusalém, em 70, e grande parte do trabalho a judeus escravizados trazidos da Judeia. O nome Coliseu veio depois, por causa de uma estátua colossal que ficava ao lado, segundo o Parque Arqueológico do Coliseu; o nome original é Anfiteatro Flávio, da família de Vespasiano.

Os materiais: cada um no seu lugar

O Coliseu é uma estrutura independente: os anfiteatros anteriores costumavam se apoiar numa encosta, e ele se sustenta sozinho, segundo a Britannica. Para isso, os construtores distribuíram os materiais conforme o esforço de cada parte, segundo a Britannica:

  • concreto romano nas fundações, no anel interno que sustenta as arquibancadas e nas abóbadas das galerias;
  • travertino, um calcário trazido da região de Tivoli (origem confirmada por um comunicado do Parque Arqueológico), na estrutura principal de pilares e na fachada;
  • tufo vulcânico, mais leve e fraco, nas paredes secundárias.

A pedra mais resistente vai onde a carga é maior, e o material leve fica onde só fecha espaço. O concreto romano, com cinza vulcânica, é o mesmo material da cúpula do Panteão, explicado no artigo sobre a história do concreto. A água que abastecia a cidade chegava pelos aquedutos romanos, obras da mesma escola de engenharia.

Arcos de travertino da fachada do Coliseu
Arcos da fachada do Coliseu: o peso de cima vira compressão ao longo da curva. Foto: James Smith / Unsplash.

A fachada de arcos

Por fora, o Coliseu tem três níveis de arcadas, com 80 arcos cada, enquadrados por meias-colunas, e um quarto nível fechado, dividido em painéis com janelas. A Britannica identifica as ordens das colunas: dórica no térreo, jônica no segundo nível e coríntia no terceiro.

O arco é a forma que deixou o monumento de pé. Ele transforma o peso de cima em compressão ao longo da curva, e a pedra resiste muito bem a ser comprimida, ao contrário de uma viga de pedra, que trabalha à flexão e racha por baixo. Empilhando arcos sobre pilares, os romanos fizeram uma parede alta e vazada, mais leve que uma parede maciça e com passagem para o público em todos os lados.

A conta: quanto tempo para esvaziar o Coliseu

Com 80 arcos no térreo e cerca de 50.000 pessoas, cada arco atenderia em média 50.000 ÷ 80 = 625 pessoas (arredondando: parte dos arcos eram entradas principais, e os do público eram numerados). Para medir a vazão de uma saída, a norma técnica 011 do Corpo de Bombeiros do Paraná usa a unidade de passagem, de 0,55 m de largura. Nos locais de reunião de público, cada unidade dá vazão a 100 pessoas por minuto em acessos e portas e a 75 em escadas e rampas. A própria norma manda que estádios e arenas com mais de 2.500 pessoas sigam outra norma, a NPT 012, então a conta abaixo serve só para dar a ordem de grandeza.

  • supondo arcos de cerca de 4 m de largura no térreo: 4 ÷ 0,55 ≈ 7 unidades de passagem;
  • vazão por arco: 7 × 100 = 700 pessoas por minuto;
  • tempo para passar 625 pessoas: 625 ÷ 700 ≈ 0,9 minuto.

A conta é nossa e otimista: supõe todo mundo já diante dos arcos e fluxo igual em todos eles. O gargalo de verdade estava nas escadas internas e nos vomitórios, as passagens que levavam o público das arquibancadas às galerias. Em escadas, a norma admite menos gente, 75 pessoas por minuto por unidade: uma escada de 3 m (5 unidades) escoaria 625 pessoas em cerca de 1,7 minuto, e uma de 2 m (3 unidades), em cerca de 2,8 minutos. Mesmo assim, a ordem de grandeza mostra o princípio que os estádios modernos repetem: muitas saídas distribuídas por todo o contorno.

Gráfico de barras do tempo para 625 pessoas saírem por um arco do Coliseu: 2,1 minutos com 2 m de largura, 1,3 com 3 m e 0,9 com 4 m
Com 80 arcos, cada saída atende cerca de 625 pessoas. Contas nossas com a capacidade de 100 pessoas por minuto por unidade de passagem de 0,55 m.

O que havia embaixo da arena

O piso da arena era um grande tablado de madeira coberto de areia. Por baixo ficava o hipogeu, um conjunto de galerias com alçapões por onde homens e animais subiam à arena, levantados por guinchos e elevadores de madeira e cordas, segundo a Turismo Roma. Esses elevadores foram destruídos por um incêndio em 217, e os subterrâneos estão hoje como estavam no fim do século V, quando foram aterrados.

No topo, um toldo enorme, o velário, protegia o público do sol e da chuva, preso em mastros apoiados em estruturas de alvenaria e madeira.

O que tirou pedaços do Coliseu

Os jogos de gladiadores foram abolidos em 438 pelo imperador Valentiniano III, e o anfiteatro entrou em decadência. Na Idade Média e no Renascimento, virou pedreira: o Parque Arqueológico registra que pedras dele foram usadas em outras obras, entre elas a Basílica de São Pedro, e que o espaço serviu de abrigo de animais, oficina e moradia. O setor sul do anel externo ruiu em parte com terremotos e acomodações do terreno, e as pedras caídas e as que restavam foram levadas para outras obras, segundo um comunicado do Parque Arqueológico de 2026.

A forma, porém, ficou. A ideia de arquibancadas em volta de uma arena, com saídas distribuídas em todo o contorno, se repete em estádios como o Maracanã e o novo Wembley, quase dois mil anos depois.

Perguntas frequentes

Quantas pessoas cabiam no Coliseu?

Cerca de 50.000, segundo a Britannica e a Turismo Roma. Há estimativas maiores, mas as fontes oficiais usam 50.000.

Quanto tempo levou para construir o Coliseu?

De oito a dez anos até a inauguração: começou por volta de 70 a 72, sob Vespasiano, e foi inaugurado por Tito em 80. O quarto nível foi completado por Domiciano em 82.

De que é feito o Coliseu?

De concreto romano nas fundações e abóbadas, travertino nos pilares e na fachada, tufo vulcânico nas paredes secundárias e tijolo nas arquibancadas, que eram revestidas de mármore, segundo a Turismo Roma.

Por que o Coliseu está parcialmente destruído?

Depois do fim dos combates de gladiadores, em 438, ele entrou em decadência e foi usado como pedreira por séculos. O setor sul do anel externo também ruiu em parte com terremotos e acomodações do terreno.

O que era o hipogeu?

O subsolo da arena, com galerias, jaulas e elevadores de madeira que levavam homens e animais até alçapões no piso.

O Coliseu ficou de pé porque cada material está onde trabalha melhor e porque o arco põe a pedra para trabalhar comprimida. A conta das saídas mostra a outra lição que ele deixou: um estádio se projeta tanto para encher quanto para esvaziar.

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