Torre Eiffel vista de dia, em Paris
A Torre Eiffel, em Paris. Foto: Anthony DELANOIX / Unsplash.

Torre Eiffel: 9 curiosidades de engenharia, com os números oficiais

A Torre Eiffel tem 330 m de altura, 18.038 peças de ferro e 2,5 milhões de rebites, e ficou pronta em pouco mais de dois anos. Foi erguida com uma licença de duas décadas e corria o risco de ser desmontada. O que a salvou foi uma antena de rádio. As curiosidades mais repetidas sobre ela nem sempre batem com os números da própria torre, e algumas são mais interessantes quando se faz a conta.

Este artigo reúne curiosidades sobre a Torre Eiffel com os números oficiais e as contas que dão a escala: o peso de cada peça, a tinta por metro quadrado, a potência das luzes. As fontes são as páginas do site oficial da torre, mantido pela empresa que a opera; onde o dado vem de outro lugar, o texto avisa.

Os números oficiais

Item Número
Altura atual 330 m
Altura original, em 1889 312 m, sem antenas
Andares 57 m, 115 m e 276 m
Largura da base 125 m
Peso da estrutura de ferro 7.300 t
Peso total 10.100 t
Peças de ferro 18.038
Rebites 2.500.000
Tempo de construção 2 anos, 2 meses e 5 dias
Visitantes cerca de 7 milhões por ano

Os dados estão na página de números-chave do site oficial. A página em inglês traz as medidas em pés; os valores em metros dos andares são conversão nossa.

Torre Eiffel e a cidade de Paris, em foto diurna
A torre tem 330 m com as antenas; em 1889, tinha 312 m. Foto: Chris Karidis / Unsplash.

1. Um jogo de montar de 18 mil peças

A torre foi fabricada antes de ser montada. Segundo a página de história do site oficial, 50 engenheiros e desenhistas produziram 5.300 desenhos de oficina, 150 operários fabricaram as peças na fábrica de Levallois-Perret, e de 150 a 300 as montaram no canteiro.

As contas (nossas) mostram o tamanho de cada pedaço:

  • peso médio de uma peça: 7.300.000 kg ÷ 18.038 ≈ 405 kg;
  • rebites por peça: 2.500.000 ÷ 18.038 ≈ 139.

Cada peça saía da fábrica com os furos no lugar exato. O material é ferro pudlado, um ferro forjado anterior ao aço moderno, segundo as descrições usuais da obra.

2. Quem projetou não foi Eiffel

O site oficial dá os nomes: os engenheiros Maurice Koechlin e Émile Nouguier, que trabalhavam na empresa de Gustave Eiffel, tiveram a ideia em junho de 1884, e o arquiteto Stephen Sauvestre trabalhou no projeto. Eiffel foi o empresário que assumiu a ideia, registrou a patente em setembro de 1884 e construiu a torre para a Exposição Universal de 1889, no centenário da Revolução Francesa.

3. Dois anos, dois meses e cinco dias

A escavação das fundações começou em 26 de janeiro de 1887, e a montagem dos pilares, em 1º de julho. O primeiro andar ficou pronto em 1º de abril de 1888, o segundo em 14 de agosto, e a torre em 31 de março de 1889, segundo a página de história.

Do começo da montagem ao fim são 21 meses para subir 300 m: uma média de 300 ÷ 21 ≈ 14 m por mês (conta nossa). Do segundo andar, a 115 m, até o topo, foram sete meses e meio.

Gráfico de barras da altura da Torre Eiffel por data: 57 m em abril de 1888, 115 m em agosto de 1888, 312 m em março de 1889 e 330 m hoje
A altura alcançada em cada etapa da obra e a altura atual, com as antenas. Dados do site oficial da torre.

4. Ela podia ter sido desmontada em 1910

Eiffel tinha uma licença de 20 anos. Em 1º de janeiro de 1910 a torre voltaria para a prefeitura de Paris e poderia ser desmontada, conta a página do site oficial sobre como o rádio salvou a torre. Eiffel passou a procurar usos científicos para ela.

O que funcionou foi a telegrafia sem fio. Em 5 de novembro de 1898, Eugène Ducretet fez a primeira ligação de rádio entre a torre e o Panthéon, a 4 km. Em 1908 o alcance das transmissões chegava a 6.000 km, e em 1909 havia uma estação permanente sob o Campo de Marte. A concessão foi renovada por 70 anos. O ponto mais alto de Paris tinha virado antena, e ninguém mais falou em desmontar.

As antenas também explicam a altura. A torre tinha 312 m em 1889 e tem 330 m hoje, depois de antenas instaladas em 1957, 2000 e 2022: são 330 − 312 = 18 m a mais.

5. Sessenta toneladas de tinta, a pincel

A torre é repintada a cada sete anos, em média; foram 20 campanhas até agora, segundo a página do site sobre a pintura. Cada campanha usa cerca de 60 toneladas de tinta, aplicada quase toda à mão, com pincel, por cerca de 50 pintores, numa superfície de uns 250.000 m².

A conta: 60.000 kg ÷ 250.000 m² = 240 gramas de tinta por metro quadrado. A página informa também que cerca de 15 toneladas se desgastam entre uma campanha e outra, um quarto do que foi aplicado.

A torre nem sempre foi marrom. Já foi vermelha (1887), ocre (1892) e amarela em degradê (1899), e desde 2019 voltou a um tom amarelado. São três tons, o mais escuro na base e o mais claro no topo, para o conjunto parecer uniforme contra o céu.

6. O topo foge do sol

O ferro dilata com o calor. O lado da torre voltado para o sol esquenta e cresce mais que o lado na sombra, e o topo se inclina para longe do sol. Segundo o site oficial, ao longo do dia o topo descreve uma curva de cerca de 15 cm de diâmetro, numa página sobre as mudanças de tamanho da torre.

Circula a afirmação de que a torre “cresce 15 cm no verão”. A página oficial fala em poucos milímetros a mais de altura com o calor; o número de 15 cm é o do desvio do topo. Não repetimos aqui os valores de oscilação com o vento que aparecem em outros lugares, porque não os encontramos na fonte oficial.

7. A pressão no chão

As fundações são de concreto sobre cascalho compactado, e a pressão no solo é de 3 a 4 kg por centímetro quadrado em cada pé, segundo a página de história. A comparação com outra torre famosa ajuda: na Torre de Pisa, a pressão média é da mesma ordem, um pouco maior, mas o solo é argila mole, e o resultado é conhecido, como contamos em a inclinação da Torre de Pisa. Com pressões dessa ordem, a diferença está no terreno.

8. Vinte mil lâmpadas que piscam

À noite, a torre cintila por cinco minutos a cada hora cheia. São 20.000 lâmpadas de 6 watts, segundo a página do site sobre a iluminação. Se todas ficassem acesas ao mesmo tempo, a potência seria de 20.000 × 6 = 120.000 W, ou 120 kW (conta nossa).

O consumo anual informado para o cintilar é de cerca de 8.800 kWh, 0,4% do consumo da torre. É pouco: 8.800 ÷ 120 ≈ 73 horas de potência total num ano inteiro. A explicação provável (estimativa nossa, porque a fonte não dá as horas de uso) é que as lâmpadas piscam, cada uma acesa por uma fração do tempo.

Há um detalhe jurídico. A operadora da torre informa, em outra página do site, que fotos particulares são livres, mas que a iluminação é protegida por direito autoral e que o uso profissional de imagens noturnas depende de autorização. Não conseguimos reler esse texto na checagem final; confira no site antes de usar uma foto noturna em trabalho comercial.

9. A mais alta do mundo por quatro décadas

Em 1889 a torre era a construção mais alta do mundo. Perdeu o título em 1930, para o edifício Chrysler, em Nova York, segundo a história usual dos arranha-céus; o site oficial conta 42 anos, até o Empire State, de 1931. A disputa de altura continua, e o detentor atual do recorde está em Burj Khalifa.

Perguntas frequentes

Qual é a altura da Torre Eiffel?

330 m, com as antenas. Em 1889 tinha 312 m.

Quanto pesa a Torre Eiffel?

A estrutura de ferro pesa 7.300 toneladas, e o conjunto todo, 10.100 toneladas, segundo o site oficial.

Quanto tempo levou para construir a Torre Eiffel?

Dois anos, dois meses e cinco dias, entre janeiro de 1887 e março de 1889.

Quem projetou a Torre Eiffel?

Os engenheiros Maurice Koechlin e Émile Nouguier e o arquiteto Stephen Sauvestre. Gustave Eiffel era o dono da empresa que a construiu.

Por que a Torre Eiffel não foi desmontada?

Porque virou antena de telegrafia e de rádio. A concessão, que acabaria em 1910, foi renovada.

De que é feita a Torre Eiffel?

De ferro, em 18.038 peças unidas por 2,5 milhões de rebites.

As curiosidades sobre a Torre Eiffel contam a mesma história por ângulos diferentes: uma estrutura fabricada como um jogo de peças, montada em 21 meses, mantida a pincel e salva por ter utilidade. Outras obras com os números conferidos estão em curiosidades da engenharia e em maiores obras de engenharia.

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