Estantes industriais com mercadorias em um armazém
Estantes de um armazém convencional, onde a pessoa vai até a mercadoria. Foto: Adrien Olichon / Unsplash.

Plataformas logísticas automatizadas: como funcionam os centros de distribuição com robôs

Plataformas logísticas automatizadas são centros de distribuição em que a mercadoria vai até a pessoa, e não o contrário. A razão é uma conta antiga: num armazém comum, o funcionário que separa pedidos passa metade do tempo andando entre prateleiras. A Amazon, que comprou uma fabricante de robôs de armazém em 2012, passou de 750.000 robôs em 2023 para um milhão em 2025.

Este artigo mostra o problema que a automação ataca, os três tipos de sistema mais usados, com os números de quem os opera, e o que os dados dizem sobre o efeito no trabalho. As fontes são um artigo acadêmico de referência sobre separação de pedidos, a Amazon, a AutoStore, a academia britânica de engenharia e um relatório do Senado dos Estados Unidos.

O problema: metade do tempo andando

Separar pedidos é tirar das prateleiras os itens de cada compra. É a tarefa mais cara do armazém. Um artigo de 2007 dos pesquisadores de Koster, Le-Duc e Roodbergen, referência na área, estima que ela chega a 55% do custo operacional. O mesmo artigo reproduz a divisão do tempo de um separador:

Gráfico de barras da divisão do tempo de um separador de pedidos: deslocamento 50 por cento, busca 20, coleta 15, preparação 10 e outros 5
Metade do tempo de um separador de pedidos é gasta andando. Fonte: de Koster, Le-Duc e Roodbergen (2007).

Num turno de 8 horas, isso significa 4 horas de caminhada e 1 hora e 12 minutos pegando produtos de fato. A automação de armazém é, antes de tudo, uma forma de eliminar a caminhada. No comércio eletrônico o problema é mais agudo, porque os pedidos são pequenos, variados e precisam sair no mesmo dia.

Robôs que carregam a estante

A primeira solução em grande escala foi a da Kiva Systems, comprada pela Amazon em 2012 por US$ 775 milhões. Robôs baixos entram sob uma estante, levantam o móvel inteiro e o levam até uma estação, onde uma pessoa retira o item e a estante volta para o lugar. Os modelos atuais erguem até 567 kg ou até 1.134 kg, conforme o tamanho.

A frota cresceu depressa. A Amazon informou mais de 750.000 robôs em outubro de 2023, e em julho de 2025 anunciou o milionésimo, numa rede de mais de 300 instalações, segundo o Robot Report. São 250.000 robôs a mais em menos de dois anos.

O sistema mais recente da empresa, chamado Sequoia, combina os robôs móveis com pórticos e braços robóticos. Segundo a Amazon, ele identifica e armazena o estoque até 75% mais rápido e reduz o tempo de processamento de um pedido em até 25%. São números da própria empresa. Braços que trabalham perto de pessoas são o assunto de robôs colaborativos.

A grade de caixas empilhadas

O segundo tipo elimina os corredores. As mercadorias ficam em caixas plásticas empilhadas umas sobre as outras, dentro de uma grade de alumínio. Robôs andam por cima da grade, puxam as caixas para o alto e as entregam em estações na borda. Para alcançar uma caixa do fundo, os robôs retiram as de cima e as devolvem depois.

A norueguesa AutoStore, que criou o formato, informa mais de 1.150 sistemas em 49 países, de mil a mais de um milhão de caixas. Um dos exemplos que divulga é o de uma marca esportiva nos Estados Unidos: 276.000 caixas, 265 robôs e 11.500 caixas apresentadas por hora. A conta dá 11.500 ÷ 265 = cerca de 43 caixas por robô por hora.

O consumo é baixo. Cada robô usa em média 100 watts em operação, o equivalente a uma lâmpada antiga. Para um sistema de 40 robôs, a fabricante calcula 13.600 kWh por ano, com 8 horas por dia e 250 dias. Só os robôs somam 40 × 0,1 kW × 8 h × 250 = 8.000 kWh; o restante vem das estações de trabalho e dos demais equipamentos.

A britânica Ocado levou a ideia ao supermercado. Segundo a revista da Royal Academy of Engineering, o centro de Erith, em Londres, tem cerca de 1.700 robôs em cada uma das duas grades, processa mais de 150.000 pedidos por semana e monta um pedido de 50 itens em cerca de 5 minutos. São 6 segundos por item. O sistema fala com cada robô dez vezes por segundo.

A esteira que separa por destino

Depois de embalado, o pacote precisa ir para a doca certa. Essa etapa é a triagem, feita por esteiras em que cada pacote viaja num carrinho com uma pequena correia transversal. Ao passar pela saída do seu destino, a correia gira e empurra o pacote para o lado. A Vanderlande informa até 18.000 carrinhos por hora num dos seus modelos, o que dá 18.000 ÷ 3.600 = até 5 carrinhos por segundo.

O destino é lido num código de barras ou numa etiqueta de radiofrequência, tecnologia da mesma família da usada nas praças de pedágio eletrônico. A navegação dos robôs móveis mais novos, que desviam de pessoas, usa sensores como os descritos em sensores LIDAR.

Fileira de docas de carga na fachada de um galpão
As docas de carga: é para a doca certa que a triagem manda cada pacote. Foto: Matthew Jackson / Unsplash.

O que a automação não resolve

O item fora do padrão. Os sistemas de caixas e estantes funcionam para o que cabe neles. Móveis, pneus e produtos frágeis ou de formato irregular continuam em áreas manuais.

A pegada. Tirar um item de dentro de uma caixa com outros diferentes ainda é, em muitos centros, trabalho humano; braços robóticos já fazem parte dessa tarefa, com variedade limitada de produtos. A automação tirou a caminhada, e a pessoa passou a ficar numa estação, repetindo movimentos parecidos durante o turno.

As lesões. Aqui os dados se contradizem. A Amazon afirma que, em 2022, os centros com robôs tiveram taxa de incidentes 15% menor e de afastamentos 18% menor que os centros sem robôs. Um relatório de 2024 da maioria de uma comissão do Senado americano, feito em 18 meses, concluiu que os trabalhadores da empresa tiveram quase o dobro da probabilidade de lesão dos de outros armazéns em sete anos de dados, e mais de 30% acima da média do setor em 2023. A empresa contesta. As duas afirmações medem coisas diferentes: uma compara centros da Amazon entre si, a outra compara a Amazon com o resto do setor.

O emprego. O efeito não é só de corte. A Amazon diz que um centro novo e muito automatizado, na Louisiana, exige 30% mais pessoal de manutenção e engenharia.

E no Brasil

Um dos maiores investidores é o Mercado Livre, que anunciou R$ 34 bilhões para o Brasil em 2025, incluindo logística, segundo a imprensa. Não encontramos dado oficial conferível sobre quantos centros de distribuição do país usam robôs, e por isso não damos número. A rastreabilidade das cargas, que é outra parte do problema logístico, está em blockchain na logística.

Perguntas frequentes

O que são plataformas logísticas automatizadas?

São centros de distribuição em que robôs, grades de armazenagem e esteiras fazem o transporte interno, e as pessoas trabalham em estações fixas.

Por que automatizar um centro de distribuição?

Porque a separação de pedidos pode chegar a 55% do custo do armazém, e metade do tempo do separador é gasta andando.

Quantos robôs a Amazon tem?

Um milhão, segundo anúncio de julho de 2025.

O que é o sistema mercadoria até a pessoa?

É o arranjo em que o robô traz a estante ou a caixa até uma estação, em vez de a pessoa ir até a prateleira.

A automação acaba com o trabalho no armazém?

Não. Ela muda o trabalho: menos caminhada, mais movimento repetitivo em estação e mais vagas de manutenção.

As plataformas logísticas automatizadas resolveram a parte do problema que era distância. O que sobrou, pegar um objeto qualquer de dentro de uma caixa, é a tarefa em que a mão humana ainda leva vantagem. Outras tecnologias avaliadas pelo que já entregam estão em inovações tecnológicas na engenharia.

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