Estação Espacial Internacional em órbita sobre a Terra
Estação Espacial Internacional em órbita, a cerca de 400 km de altitude. Foto: NASA / Unsplash.

Estação Espacial Internacional: como funciona a engenharia em órbita

A Estação Espacial Internacional pesa cerca de 420 toneladas, tem a envergadura de um campo de futebol e dá uma volta na Terra a cada 90 e poucos minutos, a uns 400 km de altitude. Foi montada em órbita peça por peça a partir de 1998, por cinco parceiros: Estados Unidos, Rússia, Europa, Japão e Canadá. A engenharia da Estação Espacial Internacional resolve três problemas de uma vez: manter gente viva no vácuo, gerar energia no espaço e não cair.

Aqui estão os números da estação, a conta da velocidade e do tempo de cada volta, como ela é alimentada e protegida e o plano para tirá-la de órbita.

A estação em números

Item Valor
Massa cerca de 420.000 kg
Dimensões 74 m de comprimento × 110 m de envergadura
Volume pressurizado cerca de 935 m³
Painéis solares cerca de 2.500 m²
Altitude entre 370 km e 460 km
Voltas na Terra cerca de 16 por dia
Montagem início em órbita em 1998

Os dados são do material de divulgação da NASA sobre a estação, de quando a montagem estava perto do fim; alguns números mudaram um pouco depois, com módulos novos e painéis adicionais.

A conta: por que ela não cai

A estação está caindo o tempo todo, mas anda tão depressa para o lado que a Terra se curva embaixo dela na mesma medida. A velocidade que mantém uma órbita circular sai do equilíbrio entre a gravidade e o movimento:

T = 2π × √(r³ ÷ GM) e v = 2π × r ÷ T

com r o raio da órbita (raio da Terra mais a altitude) e GM = 3,986 × 10¹⁴ m³/s², o parâmetro gravitacional da Terra. Para 400 km de altitude (contas nossas, com raio médio da Terra de 6.371 km):

  • r = 6.371 + 400 = 6.771 km;
  • T = 2π × √(6.771.000³ ÷ 3,986 × 10¹⁴) ≈ 5.540 s ≈ 92,4 minutos;
  • v = 2π × 6.771 km ÷ 5.540 s ≈ 7,67 km/s, cerca de 27.600 km/h;
  • voltas por dia: 1.440 ÷ 92,4 ≈ 15,6, as 16 voltas que a NASA cita.

Essa conta de equilíbrio entre forças é do mesmo tipo das reunidas no guia sobre como funciona a engenharia.

Gráfico de barras do tempo para dar uma volta na Terra: 44,5 horas para um avião a 900 km/h e 1,5 hora para a Estação Espacial a 400 km
A Estação Espacial anda a cerca de 27.600 km/h. Contas nossas, com a circunferência equatorial de 40.075 km para o avião e a órbita a 400 km para a estação.

A altitude não é fixa. Na órbita baixa ainda há um resto de atmosfera, que freia a estação e a faz descer aos poucos; de tempos em tempos, motores de naves acopladas fazem uma correção para subir de novo. Os sinais de GPS que chegam da órbita mais alta seguem a mesma física, explicada no artigo sobre sistemas de navegação por satélite.

Energia: os painéis solares

A estação vive de energia solar. Os cerca de 2.500 m² de painéis acompanham o Sol enquanto a estação gira em volta da Terra, e baterias seguram o consumo na parte de cada volta em que a estação está na sombra do planeta, cerca de um terço do tempo. Como esses painéis dobram para o lançamento e se abrem em órbita está no artigo sobre painéis solares espaciais, que também conta a história do rasgo num painel da estação em 2007.

Calor e frio a cada volta

Com 16 voltas por dia, a estação passa por 16 nasceres e 16 pores do sol, saindo do sol direto para a sombra a cada 45 minutos, mais ou menos. A face voltada para o Sol esquenta, a face na sombra esfria, e o vácuo não leva calor embora por convecção, só por radiação. Por isso a estação tem mantas isolantes em volta dos módulos e radiadores que jogam para o espaço o calor dos equipamentos e das pessoas. Os materiais usados nessa proteção estão no artigo sobre isolamento térmico de espaçonaves.

Estação Espacial Internacional fotografada da nave que acabou de se desacoplar
Estação Espacial Internacional fotografada da nave que acabava de se desacoplar, com os painéis solares abertos. Foto: NASA/Crew of STS-132 / Wikimedia Commons, domínio público.

Montagem em órbita

A estação foi montada como um jogo de armar no espaço. Cada módulo foi lançado pronto, acoplado aos anteriores por astronautas e braços robóticos e ligado aos sistemas de energia, ar e dados. O material da NASA fala em 80 lançamentos, em vários tipos de foguete, ao longo de 12 anos, para construir e abastecer a estação. Pela conta simples, 420 t divididas por 80 lançamentos dão uma média de 5 t por viagem (média nossa, que mistura voos de montagem e de abastecimento). Os módulos grandes dependeram do ônibus espacial, capaz de levá-los no compartimento de carga.

O fim previsto

A estação não vai durar para sempre. Em junho de 2024, a NASA escolheu a SpaceX para construir um veículo que vai empurrar a estação para fora de órbita de forma controlada, sobre uma área remota do oceano, com retirada prevista por volta de 2030, segundo a Astronomy. Uma estrutura de 420 t não queima por inteiro na reentrada, e por isso a queda precisa ser guiada.

Perguntas frequentes

A que velocidade a Estação Espacial anda?

Cerca de 7,7 km/s, ou 27.600 km/h, numa altitude de 400 km. Uma volta completa na Terra leva perto de 92 minutos.

Por que os astronautas flutuam se a gravidade lá em cima é forte?

A 400 km a gravidade ainda é cerca de 89% da que existe na superfície: (6.371 ÷ 6.771)² ≈ 0,89. Os astronautas flutuam porque estão em queda livre junto com a estação, que cai em volta da Terra o tempo todo.

Dá para ver a Estação Espacial da Terra?

Sim, a olho nu, como um ponto brilhante que cruza o céu em poucos minutos, logo depois do pôr do sol ou antes do nascer, quando ela ainda está iluminada e o céu já está escuro.

Quantas pessoas vivem na Estação Espacial?

Normalmente de três a sete, conforme a missão. A tripulação se reveza em estadias que costumam durar cerca de seis meses.

Quando a Estação Espacial vai acabar?

A NASA prevê a retirada por volta de 2030, com um veículo da SpaceX que vai conduzir a reentrada sobre o oceano.

A Estação Espacial Internacional fica no céu porque anda 7,7 km por segundo, e todo o resto da engenharia (painéis que seguem o Sol, radiadores, mantas, correções de altitude) existe para manter gente viva dentro dessa queda permanente. A conta do período orbital é a primeira a fazer para entender qualquer satélite.

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