Cientistas criam nó de rede com luz e átomos

Avanços na Internet Quântica: Cientistas criam nó de rede com luz e Íons

Pesquisadores desenvolveram um nó de rede quântica escalável, capaz de armazenar e transferir informações quânticas usando luz e íons — um passo crucial para a construção de uma internet quântica funcional.

Um a um, cada íon-qubit é conduzido para dentro de uma cavidade óptica, onde espelhos especiais capturam de forma eficiente os fótons emitidos pelo íon. Cada fóton sai da cavidade emaranhado com seu íon-qubit correspondente, criando um vínculo quântico profundo entre luz e matéria.

A Internet Quântica e seus Benefícios

Redes quânticas são consideradas a próxima evolução da internet. Diferentemente da internet convencional, que transmite dados digitais em bits, essas redes utilizam fótons para transportar informações quânticas. Essa abordagem promete comunicações praticamente invioláveis, conexão de computadores quânticos distantes em um único sistema poderoso e tecnologias de sensoriamento capazes de medir tempo e condições ambientais com precisão extraordinária.

Para que isso seja possível, é necessário criar nós quânticos que possam armazenar informações quânticas e trocá-las via partículas de luz.

Experimento com Íons e Fótons

Em uma pesquisa recente liderada por Ben Lanyon, do Departamento de Física Experimental da Universidade de Innsbruck, cientistas demonstraram um nó quântico utilizando uma cadeia de dez íons de cálcio dentro de um protótipo de computador quântico.

Controlando campos elétricos com alta precisão, os pesquisadores guiaram os íons, um a um, para uma cavidade óptica. Dentro dessa cavidade, um pulso de laser cuidadosamente calibrado fez com que cada íon emitisse um único fóton. A polarização do fóton ficou emaranhada com o estado quântico do íon, criando um fluxo de fótons, cada um associado a um íon específico.

Esses fótons poderão, no futuro, viajar para nós distantes e estabelecer emaranhamento quântico entre diferentes dispositivos. O experimento alcançou uma fidelidade média de emaranhamento íon–fóton de 92%, demonstrando a robustez da técnica.

Escalabilidade e Futuro

“Um dos pontos fortes desta técnica é sua escalabilidade,” afirma Ben Lanyon. “Enquanto experimentos anteriores conseguiam vincular apenas dois ou três íons a fótons individuais, nosso sistema pode ser expandido para registros muito maiores, com potencial para centenas de íons.” Isso abre caminho para conectar processadores quânticos inteiros, seja entre laboratórios ou até continentes.

Marco Canteri, primeiro autor do estudo, acrescenta:

“Nosso método representa um passo importante para construir redes quânticas maiores e mais complexas, aproximando-nos de aplicações práticas como comunicação quântica segura, computação quântica distribuída e sensoriamento quântico em larga escala.”

Aplicações Ampliadas

Além das redes, a tecnologia pode avançar relógios atômicos ópticos, capazes de medir o tempo com precisão tão extrema que perderiam menos de um segundo em toda a idade do universo. Esses relógios poderiam ser conectados via redes quânticas para criar um sistema global de cronometragem incomparável.

Publicação e Financiamento

O estudo, intitulado “Photon-Interfaced Ten-Qubit Register of Trapped Ions”, foi publicado em 21 de agosto de 2025 na Physical Review Letters (DOI: 10.1103/v5k1-whwz). A pesquisa recebeu financiamento do Austrian Science Fund (FWF) e da União Europeia, entre outros, marcando não apenas um avanço técnico, mas também um bloco fundamental para a próxima geração de tecnologias quânticas. Com conteúdo de SciTechDaily

Equipe 41 Ideias

Posts Similares